terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O futuro que morreu no passado


Vivi a minha infancia num local recôndito de Trás-os-Montes  e  acompanhei o crescimento de um projecto de desenvolvimento rural que apesar de todos os projectos europeus actuais ainda é uma experiência sem paralelo.
Surgiu do nada… Ou melhor foi sonhado por 1 homem que por ele e com ele morreu.
A associação e emparcelamento dos pequenos proprietários, dedicação a uma só cultura que tornasse mais rentável a sua produção, o controlo da transformação e comercialização desses produtos foi posta em prática e funcionou durante 2 décadas no coração transmontano.
Estou a falar da Federação dos Grémios do Nordeste Transmontano localizada no Cachão próximo de Mirandela.
Os críticos alegam que não era governável. Talvez tenha faltado a gestão empresarial e o marketing de que tanto se fala, a projecção para fora. Mas os tempos eram de orgulhosamente sós e depois só houve terra queimada e destruição da agricultura enquanto actividade económica. Não havendo uma organização de escoamento de produção não há actividade empresarial.
Os produtores agrícolas associados em cooperativas que recolhiam as colheitas e as faziam chegar á unidade de produção onde eram transformados e embalados com a marca NORDESTE  mais tarde foram copiadas por marcas com implantação Nacional como a Frissumo e a COMPAL. Compravam-se produtos agrícolas na terra fria (a castanha), no Alentejo (o tomate, o pimento), no Fundão (a cereja) para colmatar o que não era produzido nesta região.
Lagar de azeite, expurgo e embalamento de frutos secos: amêndoas, nozes, castanhas. Frutos Preparados: azeitonas de conserva, recheadas com amêndoa e pimento, pickles, compotas variadas. Destilaria de vinhos. Fábrica de lavagem e preparação de lã. Queijaria.
Tudo apoiado por uma central de vapor, oficinas e apoio administrativo. Uma frota de camiões com o logótipo.
E como as unidades de transformação precisavam de operários foi construído um bairro social para os alojar e as respectivas famílias casas com arquitectura simples de 2 tipos apenas: T2 ou T3. Construíram-se escolas, infantários e locais de convívio, uma igreja dedicada ao Santo Isidro padroeiro dos agricultores.
Uma aldeia surgiu em socalcos num descampado desértico á beira do rio Tua.

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